A maior parte das organizações já tem algum tipo de formação de sensibilização para a cibersegurança. Os módulos são atribuídos, os prazos são definidos e as taxas de conclusão são controladas. No papel, parece que tudo está a funcionar.

Na realidade, é frequente haver um desfasamento entre o que as pessoas aprendem e a forma como se comportam. Os funcionários clicam nos diapositivos, passam o teste e continuam com o seu dia. Algumas semanas mais tarde, quando um e-mail suspeito aparece na sua caixa de entrada ou uma mensagem surge no Teams, essa formação parece distante e abstrata.

Isto porque o e-learning tradicional tende a concentrar-se na transferência de informação e não na mudança de comportamento. Diz às pessoas o que devem ter em atenção, mas nem sempre as ajuda a reconhecer o risco no momento ou a sentirem-se confiantes sobre o que fazer a seguir.

A maioria dos incidentes cibernéticos não acontece por falta de conhecimento, mas por causa de decisões em fracções de segundo, distracções, suposições e hábitos.

Porque é que a mudança de comportamento requer mais do que informação

Se o conhecimento por si só fosse suficiente, a ciberconsciência não seria ainda um desafio tão grande.

As pessoas já sabem que não devem clicar em ligações suspeitas ou partilhar informações sensíveis. No entanto, os incidentes continuam a acontecer porque as situações do mundo real raramente são tão claras como os exemplos de formação.

Um e-mail parece ser de um colega, um pedido parece urgente, uma mensagem chega numa ferramenta familiar. É nestes momentos que as pessoas confiam no instinto e não na memória.

A mudança de comportamento resulta da exposição repetida, do envolvimento emocional e do contexto realista. Exige que as pessoas reconheçam padrões, questionem suposições e se sintam suficientemente confiantes para parar e agir de forma diferente.

É aqui que os formatos tradicionais de formação em segurança ficam muitas vezes aquém das expectativas. Os conteúdos estáticos e os cenários genéricos têm dificuldade em reproduzir a complexidade das interações na vida real, o que significa que os funcionários não estão totalmente preparados quando é mais importante.

O papel da narração de histórias na aprendizagem

A narração de histórias sempre desempenhou um papel importante na forma como as pessoas aprendem e recordam a informação. Dá contexto, cria uma ligação emocional e ajuda as ideias a fixarem-se de uma forma que os factos, por si só, raramente conseguem.

Quando as pessoas se envolvem com uma história, não estão apenas a absorver informação. Seguem decisões, antecipam resultados e imaginam-se em situações semelhantes. Este processo torna a experiência de aprendizagem mais ativa e mais memorável.

No contexto da cibersegurança, a narração de histórias permite que as organizações ultrapassem os riscos teóricos e mostrem como os ataques se desenrolam na realidade. Em vez de enumerar os sinais de alerta, demonstra a facilidade com que as situações podem agravar-se e como as pequenas acções podem ter consequências significativas.

Esta abordagem ajuda a colmatar o fosso entre a sensibilização e a ação. Os trabalhadores não se limitam a compreender os riscos. Começa a reconhecê-los.

Faz com que as ameaças cibernéticas pareçam reais

Um dos maiores desafios na sensibilização para o ciberespaço é o facto de as ameaças parecerem muitas vezes distantes ou improváveis. Mesmo quando os funcionários sabem que os riscos existem, é fácil assumir que não serão eles os visados.

A formação baseada em histórias muda isso, fazendo com que os cenários pareçam reais e relacionáveis. Reflecte as ferramentas que as pessoas utilizam todos os dias, as pressões que enfrentam e as decisões que tomam no âmbito das suas funções.

Quando os empregados vêem uma situação que espelha o seu próprio ambiente de trabalho, torna-se muito mais fácil relacionar a formação com o seu comportamento quotidiano. Conseguem imaginar-se nesse momento e pensar como reagiriam.

Este sentido de realismo é fundamental. Porque se a formação não parecer relevante, é pouco provável que influencie o comportamento.

Incentivar o debate e a reflexão

Outra vantagem da formação em segurança baseada em histórias é a sua capacidade de suscitar conversas.

O e-learning tradicional é frequentemente uma atividade individual. Os empregados completam-na individualmente e, uma vez terminada, há poucas oportunidades para refletir ou discutir.

As histórias, por outro lado, convidam naturalmente à discussão. As pessoas querem falar sobre o que aconteceu, o que notaram e o que teriam feito de diferente.

Estas conversas reforçam a aprendizagem de uma forma que os conteúdos estáticos não conseguem. Incentivam os colaboradores a pensar mais profundamente sobre o risco, a desafiar as suas suposições e a aprender com as perspectivas uns dos outros.

Com o tempo, isto ajuda a criar uma cultura de segurança mais aberta e consciente, em que as pessoas se sentem à vontade para falar e questionar actividades invulgares.

Desenvolver a confiança em situações do mundo real

Reconhecer uma ameaça é uma coisa. Agir de acordo com ela é outra.

Muitos empregados hesitam no momento porque não têm a certeza do que fazer ou estão preocupados em tomar a decisão errada. Essa hesitação pode ser a diferença entre parar um ataque e permitir que ele progrida.

A formação baseada em histórias ajuda a criar confiança, mostrando não só o que pode correr mal, mas também o que é um bom comportamento.

Ao verem exemplos de respostas eficazes, os colaboradores adquirem uma compreensão mais clara de como devem agir. Aprendem que não há problema em fazer uma pausa, questionar e aumentar a situação quando algo não parece certo.

Essa confiança é essencial para transformar a consciência em ação.

Porque é que o envolvimento é mais importante do que as taxas de conclusão

É fácil medir a conclusão da formação. É muito mais difícil medir se a formação fez realmente a diferença.

Taxas de conclusão elevadas não significam necessariamente que os trabalhadores estão mais seguros. Significa simplesmente que a formação foi concluída.

O envolvimento, por outro lado, é um indicador muito mais forte do impacto. Quando as pessoas estão genuinamente interessadas no conteúdo, é mais provável que prestem atenção, retenham a informação e a apliquem em situações reais.

As abordagens baseadas em histórias tendem a atingir níveis mais elevados de envolvimento porque são mais envolventes e relacionáveis. Em vez de consumirem passivamente o conteúdo, os empregados são atraídos para a experiência.

Essa mudança de uma aprendizagem passiva para uma aprendizagem ativa é o que impulsiona uma mudança significativa.

Junta tudo com a Polícia Cibernética

A formação de sensibilização para o ciberespaço baseada em histórias não é apenas uma teoria. É algo que as organizações já estão a utilizar para tornar a formação mais eficaz.

O Cyber Police é um bom exemplo desta abordagem em ação, uma vez que utiliza o drama para dar vida a ameaças cibernéticas reais, provocando conversas e desafiando suposições. Cada temporada aborda os ataques que os funcionários têm maior probabilidade de enfrentar, desde phishing e ransomware a deepfakes, e reimagina-os em episódios emocionantes. Ao verem as ameaças através dos olhos das pessoas afectadas, os empregados ganham uma consciência mais clara e a confiança necessária para responderem eficazmente.

Em vez de se basear em módulos estáticos, cria uma experiência com a qual as pessoas querem interagir. E esse envolvimento é o que ajuda a aprendizagem a manter-se.

Rumo a uma ciberconsciencialização mais eficaz

Como as ciberameaças continuam a evoluir, a formação de sensibilização para a segurança tem de evoluir com elas.

As organizações não podem confiar em abordagens do tipo “tick-box” se quiserem reduzir o risco de uma forma significativa. Têm de se concentrar na forma como as pessoas se comportam efetivamente e não apenas no que sabem.

A formação baseada em histórias oferece uma forma mais realista, envolvente e eficaz de criar essa mudança de comportamento. Liga a aprendizagem a situações do mundo real, incentiva o debate e ajuda os colaboradores a desenvolverem a confiança necessária para agirem quando é mais importante.

Porque, em última análise, a cibersegurança não é apenas uma questão de sistemas e controlos. Trata-se de pessoas que tomam decisões todos os dias. E quanto mais preparadas estiverem para esses momentos, mais forte será a tua organização.

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FAQs da formação de sensibilização para a segurança baseada em histórias

Porque é que a formação tradicional de sensibilização para a segurança é por vezes ineficaz?

Porque se concentra na transmissão de informação e não na mudança de comportamento. Os empregados podem completar a formação, mas ela não nem sempre os prepara para situações do mundo real em que as decisões são tomadas rapidamente e sob pressão.