1,2 mil milhões de euros. Só em 2024, as organizações europeias foram multadas por violações do RGPD, e este número continua a aumentar todos os anos.
A maioria destas multas não resultou de ciberataques dramáticos ou hacks sofisticados, mas sim de falhas de conformidade quotidianas: registos em falta, relatórios de violação incompletos, medidas de responsabilização fracas e funcionários que não estavam totalmente conscientes das suas responsabilidades ao abrigo do RGPD.
Para as organizações actuais, isto revela uma dura realidade: A conformidade com o RGPD não é teórica. É testada quando algo corre mal, e os reguladores julgarão a tua organização não apenas pelo que aconteceu, mas pela forma como consegues provar a conformidade.

Aplicação do RGPD: Verifica a realidade
Desde que o RGPD entrou em vigor em 2018, a aplicação da lei tem sido implacável. Em toda a Europa, as autoridades emitiram quase 7,1 mil milhões de euros em coimas, com centenas de notificações de violações comunicadas diariamente. Países como a Alemanha, a França e os Países Baixos registam dezenas de milhares de notificações de violações de dados todos os anos, com alguns a registarem aumentos de 40-60% em relação ao ano anterior.
Estas estatísticas mostram que as violações de dados não são raras e que as falhas de conformidade também não o são. Mesmo as grandes empresas, com bons recursos e sistemas de TI robustos, foram penalizadas. O traço comum? Falta de responsabilidade, documentação deficiente e lacunas na sensibilização do pessoal.
Porque é que as organizações falham na conformidade com o RGPD
A análise das multas do RGPD revela um padrão claro: a maioria das organizações falha devido a problemas de processo e comportamento, e não por incapacidade tecnológica. Considera a seguinte repartição das falhas comuns:
| Tipo de incumprimento | Percentagem de coimas |
| Base jurídica insuficiente para o tratamento de dados | ~28% |
| Não cumprimento dos princípios de processamento | ~26% |
| Segurança e salvaguardas técnicas fracas | ~19% |
| Não cumprimento dos direitos das pessoas em causa | ~10% |
| Não cumprimento das obrigações de informação | ~7% |
| Falhas na notificação de violações | ~2% |
Mesmo as pequenas violações podem dar origem a um controlo regulamentar. As entidades reguladoras não se concentram apenas na dimensão ou sofisticação de uma violação; concentram-se na forma como as organizações respondem e se existem medidas de responsabilização.
Responsabilização: O coração do GDPR
O RGPD tem a ver com responsabilidade. Os artigos 5.º e 24.º sublinham que as organizações devem não só cumprir os princípios da proteção de dados, mas também ser capazes de demonstrar esse cumprimento. É neste ponto que muitas organizações ficam aquém das expectativas.
Um cenário realista: um funcionário envia acidentalmente uma lista de clientes por correio eletrónico para o destinatário externo errado. A organização identifica o erro internamente, mas quando os reguladores telefonam, a empresa pode:
- Identificar exatamente quais os dados pessoais envolvidos?
- Apresenta a base legal para o seu tratamento?
- Demonstra que o processamento foi documentado no seu Registo de Actividades de Processamento (RoPA)?
- Prova de que o pessoal recebeu formação sobre o RGPD e está ciente das suas responsabilidades?
- Demonstra um escalonamento interno atempado e uma notificação adequada da violação às autoridades e aos indivíduos afectados?
Muitas organizações teriam dificuldade em responder “sim” a todas estas questões.
As entidades reguladoras estão cada vez mais à procura de provas de conformidade, e não apenas de políticas no papel.
Violações de dados e notificação de violações
Nos termos do RGPD, as violações de dados devem ser comunicadas no prazo de 72 horas após a descoberta. Apesar disso, a comunicação de violações é uma fonte frequente de incumprimento. As organizações detectam frequentemente incidentes, mas não os tratam da forma correta, o que resulta em multas ou medidas corretivas.
E a comunicação de violações é apenas um aspeto. Os funcionários também têm de compreender os tipos de incidentes que se qualificam como violações e o seu papel no encaminhamento adequado dos mesmos. Para tal, a formação é fundamental. A sensibilização do pessoal pode evitar que pequenos incidentes se transformem em multas regulamentares.
Registos de actividades de processamento (RoPA): A tua espinha dorsal de conformidade
A RoPA (artigo 30.º) é uma prova de responsabilidade. As autoridades solicitam a RoPA em primeiro lugar quando investigam infracções e os registos incompletos ou desactualizados podem agravar as sanções. A formação do pessoal para compreender de que forma as suas acções diárias são tidas em conta nos registos organizacionais garante que a sua empresa pode demonstrar conformidade sob escrutínio.
Base legal e sensibilização dos trabalhadores
Um elevado número de multas do RGPD está relacionado com bases legais incorrectas ou não documentadas para o tratamento de dados pessoais. Muitas vezes, os funcionários assumem que o consentimento é sempre necessário ou podem não saber quais as aprovações internas necessárias. Os erros nesta fase podem ter repercussões:
- Campanhas de marketing enviadas sem consentimento ou justificação de interesse legítimo
- Dados de RH tratados sem fundamentos jurídicos válidos
- Dados de fornecedores transferidos internacionalmente sem base legal documentada
Uma formação adequada sobre o RGPD significa que os funcionários compreendem as implicações práticas dos artigos 6 e 9, tornando os erros muito menos prováveis.
Direitos dos titulares dos dados: Um ponto de pressão em matéria de conformidade
Os pedidos dos titulares dos dados (DSAR), incluindo os direitos de acesso, apagamento e restrição, são uma área em que as organizações falham frequentemente. Os prazos são apertados e os processos de verificação podem ser inconsistentes. Mesmo o incumprimento de um prazo pode ser considerado uma violação do RGPD. Os funcionários precisam de orientações claras sobre como reconhecer e responder a estes pedidos, uma vez que as suas acções afectam diretamente a conformidade e a potencial aplicação.
Porque é que a formação sobre o RGPD é importante
Todas as estatísticas e acções de aplicação apontam para a mesma conclusão: A conformidade com o RGPD é orientada para o comportamento, não apenas para as políticas. As políticas, as salvaguardas de TI e os sistemas seguros são essenciais, mas sem pessoal formado e sensibilizado, a conformidade não pode ser comprovada quando é mais importante.
Uma formação eficaz sobre o RGPD proporciona:
- Cenários do mundo real: mostrar como as acções quotidianas podem desencadear problemas de conformidade
- Orientação prática: ensinar aos empregados como lidar com violações, manter registos e responder a DSARs
- Reforço da responsabilidade: ajudar as organizações a demonstrar provas de conformidade às entidades reguladoras
- Redução dos riscos: reduz a probabilidade de os incidentes se transformarem em multas regulamentares
A linha de fundo
As falhas de conformidade são comuns, dispendiosas e muitas vezes evitáveis. Os funcionários desempenham um papel fundamental na prevenção, deteção e resposta a incidentes, e as organizações não podem confiar apenas na tecnologia ou nas políticas.
A pergunta que todas as organizações devem fazer não é: “Temos políticas RGPD?” Mas sim: “Se uma violação de dados acontecesse amanhã, poderíamos provar a conformidade?”
A formação sobre o RGPD não deve ser tratada apenas como um exercício de conformidade, mas sim como uma prova de responsabilidade, um fator essencial para reduzir os riscos e proteger a reputação da sua organização
Numa era de aplicação ativa, é a ponte entre a política e a prática, e a melhor salvaguarda contra multas, danos à reputação e escrutínio regulamentar.
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Sobreviver a uma investigação do RGPD após uma violação de dados: Perguntas frequentes
O que desencadeia uma investigação do RGPD?
Uma investigação ao abrigo do RGPD é normalmente desencadeada por uma violação de dados comunicada, uma queixa de um titular de dados ou uma auditoria proactiva efectuada por uma autoridade de supervisão. As entidades reguladoras podem também investigar se as notificações de violação estiverem atrasadas, incompletas ou suscitarem preocupações quanto à responsabilidade.
As multas do RGPD são comuns após violações de dados?
Sim. As coimas do RGPD são comuns após violações, especialmente quando as organizações não conseguem demonstrar a conformidade. Muitas sanções estão relacionadas com documentação deficiente, fraca responsabilização ou sensibilização inadequada do pessoal, em vez de ciberataques sofisticados.
Com que rapidez deve ser comunicada uma violação de dados ao abrigo do RGPD?
Ao abrigo do RGPD, as organizações devem comunicar as violações de dados qualificadas à autoridade relevante no prazo de 72 horas após a descoberta. Se não cumprirem este prazo, é frequente a escalada de uma investigação do RGPD e aumenta o risco de aplicação.
O que é que os reguladores verificam primeiro durante uma investigação do RGPD?
Normalmente, as entidades reguladoras solicitam registos de actividades de processamento (RoPA), documentação de resposta a violações e provas de responsabilidade. Avaliam também se as bases legais para o processamento estão devidamente documentadas e compreendidas.
Porque é que as organizações falham nas investigações de conformidade com o RGPD?
As organizações falham frequentemente nas investigações do RGPD devido a processos fracos, registos incompletos, tratamento inconsistente das violações e formação insuficiente dos funcionários. Estas lacunas tornam difícil provar a conformidade sob controlo.
A formação dos empregados pode reduzir o risco de investigação do RGPD?
Sim. Uma formação eficaz sobre o RGPD ajuda os funcionários a reconhecerem as violações, a escalarem os incidentes corretamente e a seguirem processos compatíveis. Isto reduz o risco de investigação e ajuda as organizações a demonstrar responsabilidade perante os reguladores.