Finalmente, conseguiste aquele orçamento para a cibersegurança pelo qual lutaste tanto, mas onde é que o vais gastar? Tal como qualquer orçamento, é importante escolher as áreas que vão dar mais retorno pelo teu investimento. Uma análise cuidadosa do que se passa no panorama da cibersegurança vai ajudar-te a tomar a decisão certa em relação aos gastos com segurança.

Aqui está o guia da MetaCompliance sobre onde investir o teu orçamento de cibersegurança.

Onde investir o teu orçamento de cibersegurança

Os orçamentos têm estado apertados, segundo um relatório da McKinsey, mas em 2021, 70% dos CISOs pretendem pedir aumentos significativos no seu orçamento de cibersegurança. Os ciberataques a empresas de todas as dimensões e em todos os setores estão a fazer com que seja preciso reforçar as medidas de segurança e fortalecer os nossos sistemas de TI contra os hackers. A MetaCompliance analisou cinco áreas-chave que merecem uma parte desse orçamento de cibersegurança conquistado com tanto esforço:

1. Formação em sensibilização para a segurança e formação sobre phishing

A prevenção sai mais barata do que a cura quando se trata dos danos que os ciberataques podem causar. Vê o ransomware como exemplo. O relatório da Sophos«State of Ransomware 2021»revelou que o custo da recuperação após um ataque de ransomware duplicou nos últimos 12 meses, atingindo, em média, 1,85 milhões de dólares.

O ransomware costuma ser disseminado através de e-mails de phishing. Um relatório de 2021 da Egress também destaca que 95% dos responsáveis de TI acham que os dados estão em risco por causa do e-mail. O relatório também refere que 83% das organizações sofreram uma violação de dados por e-mail nos últimos 12 meses, sendo que 24% dessas violações foram causadas por um colaborador que partilhou dados por engano. O fator humano no sistema é um ponto de risco que tem de ser resolvido com urgência.

Formar os colaboradores de toda a organização em questões de cibersegurança, incluindo aspetos relacionados com a privacidade, é um passo fundamental para reduzir os riscos de cibersegurança. A formação em sensibilização para a segurança pode ser adaptada ao perfil da tua empresa. Também é possível combater o problema dos colaboradores que caem em iscas de phishing através de programas de formação especializados em anti-phishing, que ensinam os colaboradores a pensar duas vezes antes de clicarem num anexo ou link malicioso.

2. Governação, Risco e Conformidade

Proteção de dados As normas são rigorosas e cumprir essas normas implica um grande dispêndio de tempo e recursos. Muitas vezes, é preciso recorrer a especialistas para garantir que os requisitos sejam cumpridos corretamente. As consequências do incumprimento são dispendiosas, não só em termos de multas pesadas, mas também em termos de perda de confiança dos clientes e danos à reputação.

A ajuda de empresas especializadas, com as competências necessárias para avaliar as tuas necessidades em matéria de conformidade, pode facilitar este processo. Os consultores de conformidade podem garantir que a tua organização cumpre os regulamentos e as normas e ajudá-la a colmatar quaisquer lacunas nos requisitos de conformidade.

3. Ferramentas e medidas de segurança

Ter as ferramentas de segurança certas implementadas é uma área essencial do orçamento. Mas será que deves externalizar a gestão da segurança ou implementar e manter essas medidas internamente? A resposta depende do teu nível de competência na utilização de medidas de segurança modernas, algumas das quais são inteligentes e podem exigir conhecimentos especializados para serem configuradas e interpretadas.

Outra coisa a ter em conta é em que tipo de medidas de segurança deves investir o orçamento. Esta decisão depende do teu setor de atividade e de outros fatores, como as necessidades de trabalho remoto, as interações com terceiros e os dados dos consumidores. Mas, como regra geral, deves considerar investir o orçamento de cibersegurança nas seguintes áreas:

    • Gestão de Identidade e Acesso (IAM): O roubo de credenciais e o «credential stuffing» (em que os fraudadores tentam invadir contas usando credenciais roubadas) são um grande problema de cibersegurança. As credenciais roubadas permitem que os fraudadores roubem grandes quantidades de dados. A violação de credenciais está na origem de 61% das violações de dados, de acordo com o Relatório de Investigação de Violações de Dados da Verizon.

    • Segurança Zero Trust: O princípio de «nunca confiar, verificar sempre» está na base da abordagem Zero Trust à segurança.

    • Segurança dos terminais: Com o teletrabalho, o número de terminais, como os dispositivos móveis, disparou. Cada terminal é uma porta de entrada potencial para uma rede.

    • Segurança na nuvem: Um relatório da Gartner Inc. revelou que, até 2025, 99% das falhas de segurança na nuvem serão culpa do cliente. A Gartner recomenda a utilização de políticas de governação e monitorização para reduzir os riscos nesta área.

4. Seguro cibernético

Se acontecer o pior e a tua organização for infetada por ransomware, ou se um dos teus colaboradores for vítima de spear-phishing e a tua base de dados de clientes for pirateada, e assim por diante, o seguro cibernético pode ajudar a aliviar um pouco o impacto. Normalmente, o seguro cibernético cobre perdas decorrentes de danos nos sistemas de TI e da perda de informação proveniente desses sistemas e redes. Os custos do seguro cibernético variam, mas algumas seguradoras oferecem prémios reduzidos se a tua organização conseguir demonstrar que tem certas medidas de segurança implementadas, tais como:

    • Formação em Sensibilização para a Cibersegurança

    • Conformidade com as normas do setor em matéria de segurança de dados e privacidade, como a ISO 27001

    • Testes de penetração regulares aos teus sistemas de TI e redes

5. Medições e KPIs (Indicadores-chave de desempenho)

Conseguir medir a eficácia das tuas medidas de segurança é uma ótima forma de justificar as tuas escolhas de gastos ou de ajustar os orçamentos futuros de cibersegurança. As métricas de segurança dão-te uma visão sobre a eficácia da tua postura de segurança, incluindo se as tuas medidas de conformidade estão a funcionar. Estas métricas oferecem uma forma quantitativa de mostrar à direção e aos membros do conselho de administração como está a correr um programa de segurança de dados. Estas métricas também podem ajudar a documentar a abordagem da empresa à proteção de dados, em conformidade com os requisitos regulamentares. A análise dos KPIs e dos indicadores-chave de risco (KRIs) dá-te uma visão da tua equipa e da tua posição em termos de segurança, para que possas otimizar as medidas e as abordagens.

Existem vários KPIs importantes que podem ser medidos; alguns exemplos que medem métricas de ameaças incluem:

    • Incidentes de segurança

    • Tempo médio de deteção (MTTD)

    • Tempo médio de resolução (MTTR)

Gasta, gasta, gasta em cibersegurança

Com as despesas em segurança a atingirem, segundo as previsões, mais de 1 bilião de dólares a nível global até 2025, otimizar o teu orçamento de cibersegurança é essencial para evitar desperdícios. Talvez já saibas onde a tua organização corre mais riscos, mas continua a acompanhar o panorama da segurança, pois este está em constante mudança. Ao teres um bom conhecimento do que se passa no setor e do tipo de ajuda disponível para mitigar os riscos cibernéticos, podes garantir que o orçamento que acordaste te dá uma boa relação qualidade/preço.

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